quarta-feira, 3 de agosto de 2011

QUANDO O FILHO VIRA PAI.

  Eu me espanto sempre com o espanto.Fui educado por meus pais.Gostaria de ter tido mais dinheiro, quando eles eram vivos, para lhes oferecer uma condição melhor.Mas eu e meus irmãos conseguimos no mínimo o necessário: um bom plano médico e, quando a aposentadoria minguou devido aos reajustes menores, uma complementação de renda.Quando criança, eu precisava do apoio de meus pais.Quando envelheceram, precisaram do meu.Em maior ou menor medida, para todos nós é assim.
 Eu observo que muitos conhecidos meus não aceitam a fragilidade dos pais.Ou põem em primeiro lugar seus próprios desejos.Em vez de companheiros, tornam-se inimigos.
 Concordo:na velhice, muita gente se torna mais difícil.Ranzinza.Exigem mais.Reclamam.Mas quando eu era bebê não gritava pedindo para mamar?Não atormentava meus pais de noite?Na vida moderna, a gente aprende que é preciso ter sucesso.Dinheiro.E, na luta pelo tal sucesso, muitas vezes a gente se esquece do amor.Como sentir-se bem se a mãe ou o pai está sozinho em algum lugar, com dificuldades?Entre a ida ao shopping e o programa da noite, não é possível ao menos uma visitinha?
 Sou um tipo meio fatalista.Acho que a vida dá voltas.E que a vida é um eterno ciclo afetivo.Em um época, todos nós somos filhos.Em outra, nós nos tornamos pais.É nossa vez de cuidar de quem cuidou de nós.
    Walcyr Carrasco

Um comentário:

  1. Que texto maravilhoso e muiiiiiiiiiiiiiiiiito verdadeiro. Amo meus pais de paixão, eles foram os melhores do mundo e ainda são, só que agora nos olham do Plano Espiritual. Cuidaram de nós lindamente e no momnento em que precisaram, fizemos o mesmo, acho que este é um circulo que começa com o nascimento e se fecha com o desencarne (pelo menos nesta vida). Não acredito em pessoas que não tem tempo ou paciência para cuidar dos seus pais, posso ser radical, mas estas pessoas me incomodam mesmo. Adorei o texto querida.Bjkas

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