quinta-feira, 28 de julho de 2011

AS JOIAS E SEUS PAPÉIS


A “Idade do Ouro” refere-se à fase em que se começou a descobrir ouro na natureza, no atraente estado de “pronto para usar”, ainda na Pré-história. Mais tarde serviu para criar a denominação “Idade do Ouro” em várias civilizações. A suavidade desse metal, sua cor, seu brilho, que o associam ao Sol, o fato de não oxidar-se, de fundir-se a si mesmo, dão à sua funcionalidade um alto valor ornamental. O fato de ser considerado uma dádiva dos deuses tornou o ouro um excelente presente para retribuir a esses mesmos deuses.
Na história da humanidade, pelas várias funções que assume em diferentes épocas e culturas distintas, a jóia sempre esteve presente. É moeda universal que não perde seu valor material, é documento que resiste ao tempo, é patrimônio impregnado de sentimentos e história.
Em tempos modernos, conhecem-se histórias de povos que, devido a guerras e perseguições, foram obrigados a deixar seus países e a abandonar seu patrimônio, mas, conseguindo manter consigo suas jóias, recomeçaram suas vidas graças a essas moedas universais. Ou ainda, povos sobre os quais não se conhece nem escrita nem moeda, e cujas jóias serviram de documento histórico que trouxeram até nós vestígios de sua cultura e de seus costumes.
Para enriquecer o conhecimento e compreender melhor o papel da jóia tanto como adorno ou como outra função, vamos tentar definir a jóia como adorno.
Ser adorno – geralmente usado no corpo – é uma das primeiras características da jóia, ao servir-se de materiais preciosos, metais e pedras. E essa característica faz com que ela possa ser um artefato portador de significativo valor estético, ou seja, de valores considerados embelezadores na época em que foi realizada
.Como portadora de valores, jóia tanto pode representar o insigne, o poder, o conhecimento esotérico, quanto ser sinal de riqueza material. A ela podem ser também, atribuídos valores mágicos, espirituais e até transcendentes, segundo diferentes interpretações de vários povos e culturas. Assim, em sua materialidade de adorno, a jóia sempre está acompanhada de significados que a tornam um objeto simbólico.O simbolismo religioso, por exemplo, em diferentes tradições, ao referir-se à jóia, representa as verdades espirituais.
Talismã: Do grego telesma, que quer dizer mistério, era considerado capaz de atrair a sorte.
Amuleto: Servia como escudo contra o mau-olhado. O termo deriva do latim amuletum, sinônimo coloquial de ciclâmen - uma planta que se dizia proteger do veneno.
Como amuleto, a jóia costuma ser objeto de pequenas dimensões, carregada junto ao corpo, servindo aos homens como proteção do mundo mágico. Proteção contra doenças, mau-olhado e desgraças. E, como talismã, visando à ventura, à fortuna e à felicidade. Nessa condição de amuleto ou talismã, atribui-se à jóia a possibilidade de absorver a forma e até mesmo a qualidade específica daquilo contra o que ela protege.
Seu significado é o de ser expressão simbólica da possibilidade da intervenção de poderes sobrenaturais e singulares na vida humana.
Entre os amuletos, há configurações predominantes: Chifres, trevo de quatro folhas, pimentas, figas, olho grego, letras mágicas, santinhos, e mesmo pedras preciosas a que se atribuem certos poderes.
Originalmente o uso de adorno esteve ligado a essa função de amuleto ou talismã, comum desde a Pré-história e que se tem testemunhos arqueológicos espalhados por toda parte. No Egito, onde os mortos eram enterrados com replicas de todos os seus pertences, para assegurar-lhes vida perene além-túmulo, e as múmias usavam colares com amuletos contra a “morte”, para defendê-las nessa vida eterna.
No lugar do coração da múmia era colocado um escaravelho, que tinha como dever proteger o defunto contra os perigos que o esperavam no outro mundo. Também era gravado um capítulo do livro dos mortos na parte externa do escaravelho.
Com estes exemplos, podemos dizer que durante    toda    a    história    da    humanidade,
independentemente de diferenças étnicas, geográficas, topográficas ou quaisquer outras, o homem tem produzido objetos para enfeitar, agradar e seduzir. Entre eles, as jóias, objetos perfeitos para tais finalidades. Universalmente e em todos os tempos, a jóia, como adorno, tem um vinculo perene com os desejos do homem e com sua capacidade, ou mesmo intenção, de construir novas linguagens e, com elas, significados eficientes na elaboração de identidades; e, assim, da idéia de ser único, apesar de todas as igualdades, e da possibilidade de ser vários, ao experimentar todas as possíveis diferenças.
     Eliana Gola
                  

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